Análise Bioenergética
ARTIGOS

O Que é Grupo de Movimento em Análise Bioenergética
Mariangela G. Donice

Antes de iniciar este texto, gostaria de apresentar Ellen Green Giammarini, que morava em Roma onde era supervisora e trainer da SOCIEDADE ITALIANA DE ANÁLISE BIOENERGÉTICA, membro do comitê científico da Revista Anima e Corpo -1997-Milano-Italia, revista esta presenteado por um amigo, Dr. Fausto Pagnamenta-Pediatra de Locarno-Suiça, sabendo da minha formação em Análise Bioenergética  e meu interesse na língua italiana.

Retirei o presente artigo e “A Espiritualidade do Contato-Silja Wendelstadt”; que está nesta homepage: http://www.bioenergetica.com.br, da mesma Revista (1997).

No início do texto da “Rivista  internazionale di psicologia somática Anima  e Corpo” foi feita uma homenagem com uma bela foto, dizendo que com silêncio e discrição Ellen Green Giammarini,  trainer internacional do IIBA e membro  da comissão científica da Anima e Corpo, nos deixou. Morreu em Londres no dia 13 de setembro de 1997.

Ellen, antes de conduzir classes de Exercícios de Bioenergética, esteve durante três anos  em Análise Bioenergética com o próprio Dr. Lowen. Sua experiência se dirigiu ao âmbito teatral, adquirindo vasta experiência. Durante o período que fez terapia com Dr. Lowen fundou e tornou-se diretora artística do “West Side Actors Workshop and Repertory” de New York, onde formou atores e dirigiu algumas peças de teatro.

*(E.B = exercícios de bioenergética= grupo de movimento em bioenergética; A.B = análise bioenergética = terapia de grupo.)

A sua formação, antes da formação em Análise Bioenergética, incluiu grande quantidade de trabalhos corporais, estudou dança clássica, quando criança e quando adulta dança moderna através da escola “Martha Graham School of Contemporary Dance”, assinalando que as técnicas de Graham não envolvem os bailarinos em um “grounding”, no sentido de Lowen, mas a ênfase está no “esticar para cima”; já no trabalho de Lowen  a ênfase é no  “fazer descer” envolvendo o deixar o “músculo do ventre” solto, para fora; no trabalho de Graham, coloca Ellen, os bailarinos criam e alargam um forte elemento físico-estético-visual, que causará uma reação cinestésica e emocional nos espectadores; já no trabalho de Lowen é a própria pessoa que está empenhada em um movimento físico numa atividade muscular que aprofunda a sua respiração e causa reações emocionais no interior de si mesma, acontecendo sem nenhum envolvimento com elementos estéticos e visuais, nem pela projeção de uma experiência para atingir os espectadores envolvidos.

Para Ellen o ator é “o próprio instrumento” e sua formação implica em “combinar”, “regular as tensões” e “abrir” (o ator) o  seu próprio instrumento,  ou seja , ajudar o ator a aumentar a própria capacidade de expressão emocional, com a finalidade de liberar-se seja dos bloqueios físicos, seja dos bloqueios psicológicos.

Assim, trata-se de um tipo de ensinamento muito particular, em muitos aspectos não desconectando da psicoterapia diz ela, se bem que com diferenças de grande relevância. O trabalho com o ator tem a finalidade de ajudá-lo a adquirir técnicas de recitação, o seu intuito não é psicoterapia. Fazendo uma ressalva, em que defende o ponto de vista que as classes de Exercício de Bioenergética não deveriam ter a finalidade de realizar psicoterapia, mas quando conduzidas corretamente são indubitavelmente terapêuticas.   

Ellen Green faz uma diferenciação entre Classes de Bioenergética ou grupos de movimento como aqui no IABSP o chamamos, e terapias de grupo em Análise Bioenergética. Esta diferenciação foi feita,antes que  o Dr.Alexander e sua esposa Leslie Lowen tivessem escrito o livro  Exercícios de Bioenergética, aqui no Brasil lançado pela Editora ÁGORA em 1997,  onde esta distinção  essencial foi feita e mantida.

Seu primeiro Grupo de Movimento foi em Roma nos anos 70. A Análise Bioenergética na Itália não era ainda praticada, alguns dos participantes eram terapeutas reichianos, vegetoterapeutas. O enfoque utilizado por Ellen era: o máximo do praticar e o mínimo de discussão, as explicações eram dadas em pequenas doses.  Maiores explicações como dizer aos participantes que o efeito dos exercícios, como também o uso do stool (banco de respirar), são cumulativos e não podem ser apressados, é melhor que sejam dadas no final.  Cada participante progride no seu próprio ritmo e velocidade.

O trabalho físico introdutório pode ser, por exemplo, simplesmente pedir aos participantes para ficarem em pé com os pés paralelos e separados, joelhos flexionados (ou destravados), e  deixar seu peso ir para baixo... para baixo...  Quando for oportuno, aprofundar a respiração; uma reação emocional espontânea  pode acontecer nos exercícios.  Isto algumas vezes é causado pelo medo ou mesmo sentimentos de pânico existente no participante. Para aqueles que estão em terapia, é mais fácil e agradável. Entretanto, caso um participante que não esteja em terapia mostre sinais de dificuldades, normalmente vai-se até ele, sugerindo que pare o exercício e se curve na posição  do  grounding  invertido.

Neste grupo em particular, Ellen  diz que o grupo funcionou num nível não verbal, o tanto quanto possível sem procurar mentalmente por nenhum outro nível, deixando vir as lágrimas, aprofundando a respiração, relaxando as tensões musculares, direcionando a atenção ao seu próprio corpo, ajudando a chegar aos sentimentos, ao que eles realmente sentiam.   O contato físico era mantido, colocando as mãos nos seus ombros ou braços, se tal contato fosse bem  vindo e confortável. Enquanto o resto da classe continuava trabalhando, explicava-se individualmente em termos gerais e principalmente em termos físicos, o que o condutor acreditava  ser a dificuldade de algum participante. Por exemplo, diz Ellen, a respiração tinha aumentado muito e muito rapidamente, era um volume de ar que o participante não podia ainda conter; o mais importante de tudo é dizer que tudo será feito  bem devagar e que sua capacidade de respirar mais profundamente e sustentar certos exercícios aumentará gradualmente,  assim como a possibilidade de deixar vir as lágrimas, caso isso aconteça. Dizer francamente que não há a  intenção de analisar o conteúdo emocional específico do problema que está originando sua atual dificuldade. Penso que tal conversa um a um, deve ser mantida de um jeito menos dramático possível, com  o objetivo de  manter a diferença entre E.B e uma situação de terapia, diz Ellen.

Uma questão Inicial: O que é um Grupo de Movimento?
Verdadeiramente o que não é um grupo de movimento em bioenergética.

“Geralmente parece ser de tudo para todos, é um espaço no qual se experimentam métodos que pretendem re-acordar a Kundalini dos participantes, ou mesmo um grupo profundamente empenhado  nas técnicas gestálticas ou musicoterapia ou arte terapia, ou talvez uma classe na qual se faz uma demonstração de exercícios de Psicossíntese de Assagioli, ou é a tribuna apropriada para pessoas que estiveram na Índia por três semanas ou mais (ou menos) e que querem transmitir aos seus compatriotas os segredos deste” diz Giammarini (1997).

É importante lembrarmos que esta observação foi feita há 5 anos, bem como a que se segue: “Claramente estou penetrando na esfera daquilo que os exercícios de bioenergética não são,  a procura de uma resposta para a minha pergunta inicial.” Todavia, é difícil evitar tal penetração a partir do momento que muitas atividades que  passam sob o título de “um grupo de movimento em bioenergética”, na prática efetiva resultam ser aquilo que essas não são.

Neste artigo, tais colocações não tratam da prática da análise bioenergética, que inclui análise do caráter e psicoterapia individual e em grupo, mas de esclarecer o que é verdadeiramente uma classe de exercícios de bioenergética.

Não é pelo  fato  de que Alexander Lowen não tenha sido claro naquilo que escreveu e disse até hoje (na área dos exercícios de bioenergética O caminho para uma saúde vibrante, Alexander Lowen e Leslie Lowen, Editora Agora). Este livro é notável tanto pela parte escrita como pelas ilustrações, explica as técnicas utilizadas na bioenergética, que foram desenvolvidos a partir das próprias vivências de Lowen, com determinadas posições e movimentos, capazes de relaxar a musculatura cronicamente tensionada e provocar a liberação emocional (catarse). É um fazer integrativo entre soma e psique: “o corpo libera-se dos afetos” comprimidos “e o psiquismo fornece as explicações da origem do conflito (Lowen,1977)”.

Lowen adverte que, de acordo com o principio fundamental da bioenergética, não se pode forçar uma tensão a libertar-se do corpo.Quer dizer, não devemos utilizar a força de vontade, pois só iria aumentar a tensão. O ideal, diz Ellen,  é alongar o corpo até o ponto da dor,  localizar a tensão e “deixar-se ir”, entregar-se.

Neste artigo, salienta o papel que ela chama de condutor do grupo, a pessoa que direciona cada participante, na atenção com seu próprio corpo; diz ainda que a habilidade do condutor  consiste em, sem dizer aos participantes o que eles deveriam sentir,  simplesmente ajudá-los a chegar aos sentimentos, por mais que os sentimentos e sensações estejam em seu corpo e distantes da consciência. Onde uma pessoa sente stress ou tensão,  outra  pode experienciar  a  energia  fluindo!  Onde  um  exercício  pode eventualmente  causar  dor, com a repetição e o relaxamento da tensão, para outro pode produzir prazer. As pessoas começam a fazer contato com a realidade (com o que elas realmente sentem), desta forma  estarão alcançando o primeiro degrau em direção ao Ser. Para tanto é preciso que o participante perceba que sentimento está sendo contido e a respeito do que é a contenção.

Não é esquecida  a importância da voz, reduzindo o falar à sua condição básica : o som. Os exercícios são, em geral realizados com algum tipo de vocalização, ajudando a liberar tensões na garganta.

Ellen Green  ressalta  dois  mandamentos   básicos   do   trabalho   corporal   em bioenergética:  1) permitir-se respirar e 2) permitir-se ouvir o  som da própria voz; indivíduos  “sem voz ativa”  na  vida  também o  são  corporalmente.

Expressar livremente os sentimentos é um dos objetivos em um grupo de  movimento em bioenergética.

AS QUALIDADES NECESSÁRIAS AO CONDUTOR, segundo Ellen: Um condutor de classe EB deve ser, em primeiro lugar,  um especialista acerca de sua própria pessoa. Em relação aos exercícios de bioenergética, deve ter consciência do seu próprio corpo e  um  conhecimento  prático  dos  princípios  fundamentais  da Bioenergética. Deve  ter  uma  atitude  de  observação  extremamente  treinada  para  olhar  ao  invés  de pesquisar  (isto  é,  ver  o  corpo  mais  do  que  a  pesquisa  da  estrutura  de  caráter). O  intuito   é  conduzir  a  classe  EB  de  modo  criativo, permitindo  aos  participantes viverem uma experiência rica de  expansão; em outras palavras, a flexibilidade corporal, o  livre  fluxo  de  energia  no  corpo, o  sentimento mais intenso de estar vivo: amar, rir, sofrer, desejar, agir e reagir, mantendo uma estrutura específica. Em outras palavras, a flexibilidade  no interior de uma estrutura é positiva,  a negação de uma estrutura é destrutiva. Essa estrutura, porém, precisa ser flexível para se adaptar a um mundo em constante mudança.

Para nós do Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo, as classes EB têm  também um lugar muito importante  nos programas de formação de um analista bioenergético; além da formação de profissionais, a classe EB é, segundo a opinião de Ellen com a qual concordo integralmente, um instrumento potente, se bem conduzido, no aprimoramento  da sociedade contemporânea e poderia também representar um caminho importante na área da medicina preventiva.

É importante ressaltar que o uso da palavra "exercício" na bioenergética pode trazer alguma confusão e de fato deve ser mais bem compreendida. O condutor da classe, ao utilizar os exercícios, deve fazer uma avaliação equivalente à avaliação feita pelo psicoterapeuta. Deve estar atento como, quando e a quem se destina; precisamente porque os exercícios devem ser empregados, guardando os limites entre grupos de exercícios e grupo de terapia. Existem recursos sutis para conduzir as classes EB sem transformá-las naquilo que não são, em um grupo de terapia.

Os   exercícios   de   bioenergética   podem   também  ser  utilizados, com  um objetivo especifico    nas   sessões  de  terapia  individual  e de grupo, por exemplo,  para  ajudar  no processo de criar raízes (grounding). Nós terapeutas os  utilizamos  para nós mesmos, no trabalho  que  fazemos  com  os nossos  corpos por toda nossa  vida, como psicoterapeutas praticantes, ou simplesmente como seres humanos dedicados  àquilo que Lowen chama de "a verdade do corpo” (1989).Pois que nosso trabalho na bioenergética visa  atingir, nossa  totalidade  como seres  humanos,  devendo   sempre  ser fundamentado  sobre a  verdade de nossa essência.                

Nós do IABSP entendemos que “A Análise Bioenergética se apóia na proposição de que cada ser é seu corpo, a mente, o espírito e a alma são aspectos de qualquer corpo vivo. Um corpo sem vida não possui mente, perdeu o espírito e sua alma também o deixou. Quanto mais vivo for seu corpo, mais vibrante você estará no mundo”. (Lowen-1957)

Da mesma forma que Ellen, eu gostaria de perguntar agora:

O que é uma classe de exercícios Bioenergéticos:

A pessoa  completa, diz Ellen, é  aquela  que  está  em  contato  com as sensações e as emoções e ambas - emoções e sensações estão localizadas e às vezes trancadas no corpo. O propósito específico dos exercícios de bioenergética é ajudar a desbloquear a energia aprisionada ou confinada no interior do corpo devolvendo a mobilidade nos níveis muscular e emocional.

Na formação dada pelo IABSP, já durante os dois primeiros anos o aluno deve integrar a compreensão da unidade funcional corpomente/espírito, sendo capaz de compreender a influência das emoções na estrutura da personalidade. O grupo de movimento é uma das âncoras deste processo de aprendizagem.  

Um grupo de movimento em bioenergética continua Ellen, compartilha esta finalidade com a terapia de análise bioenergética; alguns dos meios utilizados são idênticos (vale a pena dizer alguns dos exercícios !), mas seu uso nas classes difere  daquele  feito  na  terapia.  Entramos inevitavelmente na arena  do  SOMA  e  PSIQUE  quando  trabalhamos  bioenergéticamente,  mas  como condutores de classes EB não nos empenhamos em psicanálise;  mesmo  se  as  nossas  qualificações  profissionais  nos habilitam a fazê-lo, a nossa intervenção na área psicológica é claramente mais limitada.

Ao  mesmo  tempo,  para  participantes  que  não  estão  em  terapia,  é  produtivo  e encorajador  ver  em  que  medida  as  pessoas  que  vivem  na  sociedade  podem  ser beneficiados  com  esta  específica  modalidade  de  trabalho  bioenergético.

Cada profissional no campo da bioenergética sabe o que é um grupo de movimento em bioenergética. “O grupo deve ser  conduzido  com  o  máximo  do vivenciar  e  o mínimo de discussão; explicações são dadas em pequenas doses; informações verbais  devem ser entendidas como esclarecimentos acerca da proposta,  do exercício, sua extensão. Informações sobre  toque, que deve ser uma pressão leve com a  mão, do mesmo modo que um ajuste na postura de alguém  o que ajuda muito mais, do que uma enxurrada de explicações” (Giammarini, 1997).

Para Ellen, deixar vir as lágrimas é um fenômeno positivo, resultando em um aprofundamento na respiração e um relaxamento da tensão muscular, uma tensão possivelmente criada a fim de conter as lágrimas. “Chorar a emoção que alivia”. Lowen  diz que sempre temos um motivo para chorar.(1997)

Hoffman (1997), diz: “Chorar é um dos remédios mais importantes com os quais o nosso corpo se auto depura da dor, das solicitações, da tensão e do medo; também os hormônios desencadeados pelo estresse são eliminados pelo choro”).

Quero introduzir neste momento um outro livro que muito aprecio, pelo seu conteúdo bem como as fotos de Christophe Schneider que considero as melhores e que aqui reproduzo.

Richard Hoffmann foi a primeira pessoa que me deu uma “supervisão ao vivo” de um grupo de movimento, isto há 9 anos atrás. Com ele também fiz  a Formação no Sistema Crânio Sacral em Bioenergética (1990-1993). Recomendo seu livro tanto para os alunos em formação como a todos que se interessem pelo assunto. Como diz Richard (1977)                   

“Este livro apresenta um ciclo de exercícios bioenergéticos simples, que podem ser executados por principiantes. Alguns dos exercícios são de autoria de Alexander Lowen o criador  da Análise Bioenergética, outros exercícios foram aprimorados pelos autores. Cada leitor é convidado a decidir por si mesmo, se e até que ponto a Bioenergética traz uma contribuição à  sua  vida,  ao  seu  bem estar físico e psíquico.  Queira observar cuidadosamente os capítulos introdutórios e as instruções para os exercícios, procure não forçar nada. A postura interior da prática e terapêutica do método de psicoterapia somática/ Biossíntese desenvolvida por David Boadella, foi incluída neste livro de exercícios”.

Afirma ainda que os exercícios de bioenergética se baseiam em  princípios terapêuticos para libertar a energia vital no corpo e enriquecer o metabolismo bioenergético.

A Introdução á Edição Brasileira é feita por D. Boadella

“Uma das principais perguntas  que tenho feito em relação ao tratamento de  clientes é como uma pessoa pode  ser ajudada a transferir aquilo que aprende no trabalho terapêutico para o seu dia a dia... escrever um livro objetivo belamente ilustrado, que apresenta movimentos de auto-ajuda sensíveis e fortalecedores ao alcance dos leigos.  Tais movimentos criam a possibilidade para o centramento da pessoa no seu self somático, assim como para o enraizamento na realidade, podendo ser usado para aprofundar o sentimento de vitalidade, fortalecer o sistema imunológico, estimular a circulação, desenvolver ao mesmo tempo um sentido de leveza interna e de enraizamento no mundo”.

Para  Lowen (1977) “bioenergética  é  um  caminho  vibrante  para  a saúde. Por  saúde vibrante não quero significar meramente a ausência de doença, mas a condição de estar totalmente vivo. Vibrantemente vivo  é talvez uma expressão mais exata, já que a vibração  é o elemento chave da vitalidade. Aumentando o estado vibratório do corpo através destes exercícios, a pessoa é ajudada a atingir esta qualidade de saúde.

O trabalho corporal em bioenergética leva todas as pessoas a entrarem em contato com as bases da vida – respiração, movimento, sentimento e expressão.

Alguns exercícios que podem ser feitos em casa.

EXERCÍCIO BÁSICO DE VIBRAÇÃO E “GROUNDING”

Fique em pé com os pés separados cerca de 25 cm; artelhos ligeiramente voltados para dentro de modo a alongar alguns músculos das nádegas. Incline-se à frente tocando o chão com os dedos das duas mãos, como na figura.Os joelhos devem estar ligeiramente dobrados.Não deve haver peso algum nas mãos; todo o peso do corpo deve cair nos pés. Deixe a cabeça pendurada o máximo possível.Respire vagarosamente  e profundamente pela boca.Deixe seu corpo ir para frente, de modo que ele caia no peito do pé. Os calcanhares podem ficar um pouco erguidos. Estique o joelho devagar até que os músculos posteriores das pernas estejam esticados. Isso não significa, entretanto que os joelhos devam ficar totalmente esticados. Permaneça nesta posição cerca de um minuto.Sempre voltar a este exercício.

A sensação de contato entre os pés e o chão é conhecida em bioenergética como GROUNDING. Estar grounding é dizer que uma pessoa está com os pés no chão. A pessoa sabe onde está e, portanto sabe quem é, tem o “o seu lugar”, isto é “alguém”. O grounding implica em conseguir que a pessoa “deixe acontecer”, fazendo seu centro de gravidade recair mais embaixo; implica em fazê-la sentir-se mais perto da terra. Num sentido amplo, o grounding pretende ajudar a pessoa a se tornar mais totalmente identificada com sua natureza animal, que evidentemente inclui a sexualidade.

Exercício básico de vibração e “grounding”
Fique em pé com os pés separados cerca de 25 cm; artelhos ligeiramente voltados para dentro de modo a alongar alguns músculos das nádegas. Incline-se à frente tocando o chão com os dedos das duas mãos. Os joelhos devem estar ligeiramente dobrados.Não deve haver peso algum nas mãos; todo o peso do corpo deve cair nos pés. Deixe a cabeça pendurada o máximo possível.Respire vagarosa e profundamente pela boca. Atenção para manter a respiração.Deixe o peso do  seu corpo ir para frente, de modo que ele caia no peito do pé. 

Os calcanhares podem ficar um pouco erguidos.Estique os joelhos devagar até que os músculos posteriores das pernas estejam esticados.Isso  não significa, entretanto, que os joelhos devam ficar totalmente esticados e trancados.Permaneça nesta posição cerca de um minuto.

Outra variação:  O Fio de Lótus
PONHA TODA A SUA ATENÇÃO NO NERVO DELICADO; COMO O FIO DE  LÓTUS , NO CENTRO DA SUA ESPINHA DORSAL TRANSFORME-SE NESTE FIO.

EXERCÍCIO DO ARCO
Fique de pé com os pés separados 40 cm, o artelho virado ligeiramente para dentro.Agora coloque ambos os punhos fechados com os polegares voltados para cima, na linha da cintura.Dobre os joelhos tanto quanto puder sem levantar os calcanhares do chão.

Arqueie-se para trás, dobre seus punhos, mas preste atenção para que o peso do corpo continue sobre o peito dos pés. Faça respiração abdominal profunda.(volte ao exercício anterior-básico de vibração e grounding). É muito mais fácil conseguir a vibração das pernas partindo da posição do arco.

Outra variação:  AFOFAR AS NUVENS
*Mantendo a posição de base, levantar os braços para o alto, manter as mãos como se fosse "afofar" as nuvens, alternadamente abrindo primeiro um lado do corpo depois o outro.

*O estiramento pode ir dos dedos dos pés até os dedos das mãos.

*O resto do corpo mantém-se relaxado, o peso desce  e a respiração é livre; a orientação dada em bioenergética é a de ter os pés plantados firmemente no chão, ao mesmo tempo , você deve estar apto a estender-se em direção ao céu.

*O exercício envolve duas ações: GROUNDING ou “deixar cair” e “esticar-se para alcançar”.

ATINGIR O POÇO
Mantendo a posição de base, flexionando decididamente os joelhos, até sentir os calcanhares levantarem-se do chão;desce-se inspirando, os joelhos estão sempre divergentes e sobe-se de novo durante a expiração.

O ritmo ao movimento é dado pela respiração.

Pode-se  flexionar também o joelho um por vez, o exercício será: descer com uma perna mantendo a outra reta, o quadril decididamente estará inclinado.

Exercício básico para se fazer deitado:
Você deita de costas sobre a base de cobertores com os joelhos dobrados, os pés assentados no chão com toda a planta, afastada uns 30 cm um do outro.Os braços ficam deitados ao longo do corpo, a cabeça reta. Feche os olhos, a nuca deveria estar tão relaxada quanto possível, pode colocar uma toalha enrolada em baixo da nuca.

Depois de ter-se colocado nesta posição, permita-se algum tempo para “chegar”. Sinta a base, sobre a qual  você está deitado Perceba a sua respiração.

Outra variação  UMA XÍCARA DE CHÁ
* Assumir a posição inicial para os exercícios no chão, apoiar bem os pés no chão e elevar os quadris alguns centímetros do chão.

*O abdome mantém-se relaxado porque o movimento parte dos pés.

* Elevar o quadril durante a inspiração e depois deixá-la cair ao chão com uma expiração sonora.

*O ritmo ao movimento é dado pela respiração.

*A imagem poderia ser aquela de ter fios invisíveis que elevam os quadris e que depois de improviso deixam cair no chão.

*Uma variante desse exercício é aquela de bater ritmicamente e rapidamente os quadris no chão emitindo um som prolongado durante a expiração.

Mabel Elsworth Todd em sua obra THE THINKING BODY (1937) fez esta observação que Lowen coloca em seu livro:

“O homem tem se tornado absorvido pelas porções superiores de seu corpo, atrás de objetivos intelectuais e no desenvolvimento de habilidades manuais e verbais. Isto, além de falsas noções relativas à aparência e à saúde, transferiu o senso de poder da base para o topo de sua estrutura. Neste uso da parte superior do corpo para as reações de poder, ele inverteu o costume animal e perdeu em grande extensão tanto a refinada acuidade sensorial animal quanto seu controle de poder, centralizado nos músculos espinais e pélvicos inferiores”.  

Referências Bibliográficas

Giammarini, Ellen Green *Anima e Corpo- Rivista internazionale di psicologia somatica -autunno 1997-Milano-Italia-

Lowen-Lowen- Exercícios de Bioenergética- Edit. ÁGORA-1997- 6ªedição.

Lowen , A.- Bioenergética-  Summus Edit. Ltda.- (1957).

Lowen, A. –Alegria- Summus Edit. Ltda-(1997).

Hoffmann , Richard & Dr. Ulrich Gudat- Bioenergética- Liberar a energia vital Edit. Kuarup(1997)-1ª edição.

Mariangela G. Donice
Psicóloga Educacional e Clínica Psicoterapeuta Corporal e Analista Bioenergético - CBT pelo International Institute for Bioenergetic Analysis (New York),   Local  Trainer  do Instituto  de Análise Bioenergética  de São Paulo IABSP, membro executivo e diretora do departamento de divulgação deste Instituto, especialização em Psicoprofilaxia Obstétrica (SEDES), Psiconeuroimunologia (IPSPP).

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