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Motivação e Sensibilização na Educação I
PercepçãoJairo Papoy e Maria Christina de S. SoaresA prática dos Fundamentos para Educação de Wilhelm Reich, com aplicação da Análise Bioenergética de Alexander Lowen.
Quando foi publicado no Brasil o livro “Liberdade sem Medo” , relatando sobre uma escola na Inglaterra chamada “Summerhill”, dirigida pelo Professor Alexander Sutherland Neill – mais conhecido no Brasil com A. S. Neill – , este foi muito criticado. Alegou-se ser impossível colocar em prática tal modelo proposto na Educação, nos mesmos moldes da Inglaterra e totalmente inadmissível deixar os alunos com total liberdade dentro de uma escola.
Neill coloca, como regra base para o seu sistema Educacional um conceito de base para todo o seu trabalho com as crianças: “Autogoverno”.
O que é isso? Como conseguir colocá-la em prática? Como conseguir entendê-la? Que tipo de livros pesquisar para conseguir um aprofundamento nesta Teoria ou apenas um conceito de Educação?
São perguntas que nós mesmos não conseguimos responder quando lemos este livro na década de 70. Naquela ocasião, em um primeiro momento, pareceu-nos um sonho. Sonho que todo Educador possui de realizar um trabalho perfeito. Só que veio logo a realidade e vimos que seria um sonho difícil de tornar-se realidade. Conceber um trabalho, onde se poderia ter indivíduos “perfeitos”, quem não gostaria!
Acreditamos que a maioria das pessoas que tiveram contato com a história de “Summerhill”, não passaram por situação diferente.
Alguns 25 anos se passaram, até entrarmos em contato com a literatura de Wilhelm Reich, no curso “Teoria Reichiana e Análise Bioenergética”, oferecido pelo “Ligare”. Foi quando descobrimos que o termo “Auto Regulação”, foi por Reich abordada como uma Teoria Educacional. E Neill, um de seus amigos, que nesta ocasião já tinha há alguns anos a escola Summerhil, denominava na sua Teoria com um nome parecido, “Autogoverno”.
Foi quando os fatos começaram a fazer sentido. O termos por ambos utilizados para um melhor desenvolvimento da criança tinham o mesmo significado, um mesmo princípio, o da criança livre para tomar suas próprias decisões.
Sabendo agora do que se tratava, o desafio foi conseguir colocar esta Teoria na prática. Levamos algum tempo até reestudá-la, e verificar como alunos e professores se comportariam diante deste novo enfoque.
Quando estudada esta Teoria Educacional no livro de Neill, fica difícil compreendê-la e colocá-la em prática. Foi necessário entender o desenvolvimento do ser humano, na ótica da Teoria Reichiana – W. Reich – e da Análise Bioenergética – Alexander Lowen – para termos mais clareza de como pratica-la. Somando a experiência de mais de 20 anos de magistério, com a formação em Teoria Reichiana e Análise Bioenergética conseguimos afinal, elaborar um trabalho e podemos dizer que a “Auto Regulação”, ou mesmo “Autogoverno”, pode ser praticável, inclusive com a pessoa adulta.
Neste últimos anos, estamos realizando um curso chamado “Motivação e Sensibilização na Educação I”, para professores que desejam aprimorar-se em sua didática. Abordamos situações onde o professor participa de várias dinâmicas, levando-o a despertar para o seu movimento – primeiramente em relação a “si” – e depois – ao “outro” .
Mostrou-se com isso que, não só as crianças se “Auto Regulam” – uma ação própria do ser humano – espontaneamente, em busca uma maneira de defender-se do mundo das pessoas gigantes, visto que o adulto, pode interferir negativamente no seu desenvolvimento, o que Reich denominava de “Praga Emocional “; mas o adulto também.
A pessoa adulta, mesmo com a sua couraça formada, mostra-se em condições de mudar. Mudança esta, que vem de dentro para fora. É espontânea. Por isso podemos dizer que, quando a pessoa adulta acredita que pode melhorar o seu potencial, entra no processo de “Auto-Regulação”. Nesta fase a sua mudança é irreversível.
Os resultados que colhemos ao longo destes anos são positivos, mostrando-nos que temos condições de colocar em prática a “Auto Regulação” ou “Autogoverno”– não nos moldes de “Summerhill” –, mas do jeito brasileiro. Uma prática educacional para que nossos professores possam entender o que acontece não só com o aluno, mas também com todo o meio ambiente escolar, e desta forma mostrar novos caminhos para atingir a aprendizagem significativa.
Gostaríamos de citar o Professor Paulo Albertine, como uma das pessoas que muito tem colaborado para que esta Teoria Educacional esteja ao alcance de todos em seu trabalho na Universidade de São Paulo. Uma das bibliografias indicadas é seu próprio livro: “Reich – História das Idéias e Formulações para a Educação”, onde descreve a trajetória de Reich, dentro da área Educacional e também a Clínica.
Colocamo-nos à disposição para maiores informações:
E-mail – jpapoy@ligare.psc.br
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